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Pico dos Marins (SP)

Olá minha gente!

Aproveitando que em maio começa a temporada de inverno aqui no Brasil (para o período de chuvas fortes e começa a ficar um tempo mais seco), hora de falar de uma das mais impressionantes montanhas do estado de São Paulo, o Pico dos Marins. Ele se localiza na cidade de Piquete, no Vale do Parnaíba, próximo a cidade de Lorena. Esta cidade faz parte do circuito da Estrada Real - Caminho Velho.

E para se chegar até o início da subida, lá vamos nós pelas estradas... passamos por tirolesas e muito pasto, mas daqueles bem verde e vivo típico de Minas Gerais. Vale lembrar que Piquete fica na divisa do estado, por isso qualquer semelhança não é mera coincidência. O que mais desse caminho todo foram duas coisas: sempre ver o Pico dos Marins desde que se chega em Lorena e a presença de pastos com búfalos. Sim, búfalos! Não é só na Ilha de Marajó que se tem esses animais. Quem quiser conhecer alguns búfalos é só vir pra cá!

A estrada é bem conservada até o vilarejo e depois disso... bom... se prepare para fortes emoções! Como a região é uma área de preservação não pode ser asfaltada ou qualquer coisa do gênero que impeça a infiltração da água no solo, o que resulta em uma estrada com muitos buracos e pedras no meio do caminho. Julgo que um bom motorista pode passar por esse trecho sem muitos problemas. Algumas derrapadas estão inclusas durante a subida e tudo mais que se tem direito. E sempre tome cuidado com as pedras... elas parecem pequenas, mas podem trazer grandes dores de cabeça.

O Pico dos Marins é uma propriedade particular que fica dentro do mosaico ecológico da Serra da Mantiqueira e devido a legislação não se pode construir nada lá em cima, então o caminho começa no pé da montanha onde tem a base dos Marins e quem cuida de todo esse espaço é o seu Milton. Ele é super legal e está lá pra ajudar a todos que precisem.
A subida até o Pico são de cerca de 5km em meio aos campos de altitude e leva cerca de 6 a 7 horas dependendo do ritmo da caminhada. Não tem contra indicações e não é necessário ter um bom preparo físico, apenas disposição porque a subida é bem longa. Se você pretende fazer apenas ataque (subir e descer no mesmo dia) trate de começar tudo bem cedo pra dar tempo de aproveitar tudo o que se precisa. Eu subi a montanha duas vezes em 2012 e pretendo voltar lá esse ano também.

DICA: Leve água. Em todo o percurso não há fonte de água potável, ou seja, dependendo de quanto tempo vai ficar e do tamanho da sua sede, leve água suficiente mas cuidado com o excesso de peso. Eu levo cerca de 4,5 litros de água para dois dias e vou racionando para não ficar sem.

E vamos começar a subida até o primeiro mirante. Saindo da base começamos a fazer uma trilha por um trecho de mata atlântica de altitude. Ela é bem fresca e bem demarcada, sem bifurcações o que ajuda muito a um grupo para não se perder. Passando pela mata, hora de subir a estrada (como eu disse antes, é uma propriedade particular). Ela faz muito zigue-zague como toda entrada que sobe uma montanha. Quando acaba a estrada começa uma pequena subida por trilha por uma área em que a terra já é mais solta, mas ainda sim bem segura para se andar. Só nesse trecho já passou uma hora de subida.

E enfim chegamos a nossa primeira parada: o Morro do Careca. Este local é uma pedra com uma boa vista para o pico e para o vale que se estende até a cidade. Hora de repor um pouco das energias, se hidratar, descansar, tirar a foto oficial da trilha, aproveitar um pouco a vista e depois começar a trilha. Mas como assim começar a trilha? Você chegou até o Careca, parabéns, pois é aqui que começa realmente a trilha.

É estranho, mas tem uma placa bem grande escrita que neste ponto inicia a trilha. Uma pequena clareira para colocar algumas barracas e daqui em diante falem tchau para a sombra das árvores. A subida já começa pra valer nesse ponto e passados os últimos instantes de sombra começa os campos de altitude que vão nos acompanhar por todo o resto da subida.

Logo de cara temos o primeiro desafio, uma longa subida com muita areia e terra seca, que pode levar muitos a escorregar se não tomar muito cuidado. E o sol não vai ter dó e nem piedade na subida que apesar de cansativa já começa a dar um gostinho da vista que te espera.

Primeira parte superada, hora de seguir pelo topo do morro. Por causa da grama alta deve-se tomar o dobro de cuidado, pois há várias bifurcações e manter distância do grupo pode ter como resultado alguns perdidos. E isso não vai ser legal, porque vai fazer o grupo todo perder tempo até achar.

Nada melhor do que ao subir uma montanha e encontrar uma bela, longa e inclinada laje (uma rampa de pedra, normalmente bem aderente, mas é inclinada). Você para na frente dela e pensa "Fudeu!", até a hora de começar a subir por ela. Tudo nesta parte se resume em apenas uma coisa: confiança, seja na pessoa que está na frente, do lado, atrás, e principalmente em você mesmo.

DICA: Não pare de subir. Engata a segunda, inclina o corpo pra frente e continua num pique só. Se você precisa de um mantra pra repetir, deixo o meu favorito: "Aderência no pé e vai com fé." É bem útil pra quem precisa de confiança em si mesmo e no equipamento pessoal.

Quando você pensa que acabou, a subida continua por mais um tempo, mas desta vez bem mais tranquila. Você passa por muita grama alta, o que pode te deixar um pouco irritado por não conseguir ver o que está acontecendo na sua frente. É um pouco frustante isso, aí você olha pro lado e tudo fica bem.

E quando olha pra frente novamente, tem uma alta surpresa. Depois de parecer um carro na laje, é hora de se sentir um verdadeiro cabrito montês. Legal você olhar pra mais uma parte da montanha cheia de precipícios mas não por isso menos emocionante. É bem mais fácil do que se imagina e pensa e toda a conversa com quem está junto torna tudo mais fácil de se superar... ou pelo menos quase tudo...

DICA: Não seja orgulhoso. Nem sempre você ira conseguir o apoio necessário para subir. Se alguém oferecer ajuda, aceite! Ser orgulhoso na montanha não é seguro para você, não é uma decisão inteligente, é arriscado para o grupo, e só pode causar problemas. E se você pode ajudar alguém, ofereça somente se puder garantir a segurança de ambos. Seja inteligente!

Porque depois de uma vida de cabrito montês hora de uma pequena escalaminhada. É uma subida bem curta (5 à 7 metro) entre uma fenda com algumas agarras (lugar pra segurar) escondidas. Senti um medo tremendo de subir a primeira vez, mas logo depois deste desafio vencido, nada melhor do que sentar em uma pedra e descansar um pouco admirando a paisagem da Serra da Mantiqueira.

Trecho superado hora de continuar a subida. Esse trecho consegue ser bem tranquilo, pois só exige atenção para não tropeçar em nenhuma pedra ou totem pelo meio do caminho. Falando nisso os totens são muito importantes nesse trecho pois indicam com segurança a direção a ser tomada por quem sobe a montanha.

DICA: Os totens não são meros monte de pedra, são verdadeiros guias pelos diversos caminhos em qualquer montanha que se vá. Não desmonte eles ou faça outro sem necessidade pois você está colocando a vida de outras pessoas em risco com essa atitude.

Seguindo os totens você passa por um pequeno curso d'água, não é recomendado o consumo dela. Tem uma bela placa mostrando a falta de qualidade para o consumo imediato, mas é claro que numa grande emergência (e munido de Clorin) não quebre o galho para a descida, mas evite ao máximo. O piriri nesse situação é quase certo.

Mais um momento de cabrito montês e já estamos quase no fim. Essa é a área onde começam as bases de camping, o que já dá uma energia a mais para continuar pois agora se pode ver o pico por todo o caminho e a sensação de ansiedade começa a aumentar. Já começo a sentir um alívio por estar próximo do fim, mas sei que não posso parar ainda.

Vamos que vamos!!! Esse trecho é uma longa subida, mas a essa altura do campeonato e do esforço feito você acaba fazendo tudo bem alegre (e exausto) por estar quase onde se vai levantar acampamento e finalmente tirar a mochila das costas, comer algo gostoso a "là montanha" e descansar o sono dos justos.

Chegando a base da montanha hora de levantar acampamento e apreciar pôr do sol. Uma visão magnífica de dar a sensação de liberdade. Barraca pronta e agora é hora do jantar. Nada melhor do que fazer uma comidinha quente pra forrar um pouco o estômago e um pouco de vinho pra esquentar, pois o frio castiga os que vieram despreparados para ele. Esse momento sempre revela dotes culinários e ajuda a entrosar mais ainda o grupo. Nada mais familiar do que todos juntos comendo sentado em uma pedra!

Depois de comer vamos apreciar um pouco a montanha e o céu. Ver o céu estrelado e a montanha iluminada pela luz da lua sem nenhuma nuvem. É um momento digno para se entregar às fotos e deixar ser levado pela brisa gelada que a montanha nos entrega. É com certo romantismo mesmo que eu falo, pois lá em cima não é necessário nada pra dar um grau a mais. Basta apenas sentar na pedra fria e relaxar. Sensação única que deveria ser apreciada por todos pelo menos uma vez. Uma mistura de paz com nostalgia e uma dose de felicidade. Não tem como descrever o que se sente.

Hora de dormir! Como toda vez que se acampa, o uso comunitário de barraca é essencial. As vantagens são variadas, desde dividir o peso durante a subida até o de ter alguém dentro da barraca. É muito frio ficar na arranca sozinho. O espaço não ocupado pode deixar muito pior a sensação de frio. Mas a barraca também não é lugar de festa, muita gente também atrapalha o bom descanso para o outro dia. A minha barraca é para 4 pessoas mas não coloco mais de 3 porque ainda tem que ter o espaço para as mochilas. Depois disso é um boa noite, virar e dormir porque vamos acordar cedo.

Porque acordar tão cedo? Não tem graça subir a montanha e não ver o maior espetáculo de camarote. A coisa é simples: levantar antes do nascer do sol e subir o restante da montanha. A rocha esfria durante a noite então é necessário uma proteção nas mãos, pois o trecho final é u,a bela escalaminhada rocha a cima. Quando você olha pra ela pensa que vai ser difícil a subida, mas acaba se revelando bem mais fácil do que se parece. Não sei é porque estamos sem a cargueira ou qualquer coisa do gênero mas levamos pouco mais de 20 minutos pra finalmente chegar ao cume.

Chegar no topo do Marins é uma beleza e ver o nascer do sol é melhor ainda! A busca pelo melhor lugar junto com a galera para ver tudo é fenomenal. Lugar encontrado, hora de sentar e esperar. Céu limpo nas alturas e sem muito vento, uma boa oportunidade para tirar fotos dos últimos planetas visíveis nessa época do ano. O espetáculo se inicia e todos começam a prestar atenção, vendo cada detalhe do sol surgindo pela serra. Quando enfim ele está suficientemente alto, você olha para trás e vê a projeção da sombra da montanha pelo vale. Em formato de triângulo, eu comecei a refletir sobre essa situação e imaginar como seria estar lá naquela pontinha e ver o nascer do sol... altas (literalmente) reflexões!

Reflexões terminadas e muitas fotos depois hora de voltar pra barraca e para tal, descer a montanha. Não é algo fácil de se fazer, pois quando subimos estávamos de frente pra montanha e estava escuro, mas agora, estamos de costas pra montanha e com o dia claro. A dificuldade aumenta pra descer e você fica se perguntando "Como eu subi isso?" e não achei melhor termo pra situação do que subir na forma de aranha. E pra descer? Não há muitas escolhas: você confia na aderência do seu pé ou desce com o auxilio do quinto apoio (bumbum no chão). Eu fiz um belo mix dessas técnicas. Haha.... foi divertido pra caramba. E não foi a ultima vez que usei esse mix.

De volta ao acampamento é hora de tomar um bom café da manhã reforçado pra dar mais energia na descida e novos dotes culinários são revelados. Nada de coisa simples não, teve direito a pão com manteiga, geleia, suco, chá, bolachas, bolos, café com leite... uma boa forma de engordar e reter energia. Satisfeitos e com energias repostas é hora de arrumar toda a bagunça. Enrolar todas as barracas, ver o estoque de água e principalmente recolher todo e qualquer lixo. Sempre tem aquele porquinho que deixa uma tampa aqui, uma lata acolá e vamos descer a montanha levando o lixo que for sendo encontrado pelo caminho para preservar a montanha limpa para todos que voltarem!

Diz o ditado que tudo o que sobe desce, mas na montanha descer não é tão fácil assim. Tudo aquilo que passamos pra poder subir, vamos passar novamente pra descer. Tudo bem que a mochila está mais leve. Mas a gravidade parece não ser tão amigável quanto antes, já que o nosso ponto de gravidade muda na descida você não pode se inclinar tanto, logo seus pés vão sofrer muito com o esforço pra te manter firme e seguro na montanha. Mais uma vez, a escolha do sapato ideal para subir é tão importante. O sapato tem que ficar firme no seu pé, não pode ficar sambando ou escorregando, deve ficar ao máximo estável pois o resultado é bem desagradável e com muitos machucados nos dedos e calcanhar, além de muita dor nas pernas.

DICA: Durante a descida é a hora de se ter muito mais cuidado onde se pisa pois apenas um escorregão pode terminar em uma bela escorrega da montanha à baixo. Não vai ser legal pra ninguém. Se não estiver seguro de onde está colocando o pé, use e abuse do quinto apoio. Mais vale rasgar uma calça do que a possibilidade de se machucar muito.

Não vou falar sobre a descida porque vai ficar muito mais longo do que já está e não quero fazer ninguém dormir ou parar com a leitura, então vou partir logo para o final da história.

Depois de descer toda a montanha, você só pensa em duas coisas: sentar e beber algo gelado. O sol castiga durante toda a descida, afinal não tem nenhuma árvore no meio do caminho para se proteger. Depois de descansar um pouco, a fome começa a apertar e vamos até um restaurante que tem próximo da entrada de Piquete e lá vamos finalmente ter uma refeição bem farta, apesar de já ser 16h. Mas quem liga pra hora quando a fome aperta, não é?

Esse post foi mais longe do que eu previa, espero não ter cansado vocês!

Até o próximo!!!